In-permanência

Poema

9/1/20261 min read

In-permanência

Vai me restar o que?

O vazio, o puro vazio da existência.

Esse frio aumenta a melancolia

Queria sumir,

Quero ir para Itaí,

olhar aquela ponte de longe.

Subir a montanha de Castorp.

Queria me manter lúcido,

Do jeito mais torpe possível.

Quero me afogar no sentido da sociedade,

Quero o progresso,

Quero a glória,

O transe do sucesso.

Chega da apatia da derrota

Eles que me fazem a engolir

Quero a volta dos valores Deles

Mas como?

O véu caiu

Estou agora sobreo

Percebo a construção

Percebo cada peça formada, cada medo e conforto em seus/meus pensamentos

A luta do tempo Deles.

Não os mate!

Eles são os que suportam o mundo

SIM!

ELES!

ELES QUE COLOCARAM SENTIDO!

O SENTIDO!

Estou fadado, fadado...

O anjo torto.

Lucas de Gauche

Golconda, 1953, René Magritte